My Little Rocket Lab é maravilhoso

Douglas Barres
7 Min Leitura

Nunca tive contato com Factorio ou Satisfactory, mas entendo como esse nicho é forte. Eu já sabia que My Little Rocket Lab fazia essa mistura de Stardew Valley com esses dois jogos, mas não imaginava que tinha ficado uma mistura tão boa.

Stardew Valley + Factorio

Sendo bem sincero, não sei se algum dia vou testar o Factorio. Aquele visual com vista de cima e gráficos que lembram jogos de PS1 me afastam um pouco. Por outro lado, Satisfactory é um jogo que está na minha lista de desejos faz um bom tempo (agora que chegou nos consoles, pode ser que eu finalmente consiga jogar).

Em Stardew Valley, um dos objetivos é fazer dinheiro e erguer novamente o Centro Comunitário para salvar a cidade. Em My Little Rocket Lab, o nosso objetivo é montar um foguete que temos no quintal de casa. A real diferença é que em nenhum momento senti a necessidade de fazer dinheiro no jogo e isso foi maravilhoso! Os objetivos todos se resumem a pegar materiais para criar máquinas que, por sua vez, produzem mais materiais. Não precisamos comprar nada com dinheiro do jogo, a não ser que você queira comprar firulas pra casa ou aumentar o terreno da sua propriedade (o que não vi utilidade no primeiro gameplay).

O jogo também tem um sistema de afeição com os NPCs, mas confesso que essas mecânicas não me agradam tanto, então nem acabei investindo nisso. Para os amantes de plantação, infelizmente não existe romance, mas existem muitas quests dos NPCs e eles parecem ser bem construídos.

Produzir, Otimizar e Produzir mais

Como já citei antes, o objetivo do jogo é construir um foguete. Para fazer isso, antes precisamos pesquisar vários projetos, sejam eles na faculdade da cidade ou no telescópio. Então, para desbloquear esses planos, precisamos enviar milhares de recursos para esses dois lugares e é aí que a produção em massa começa.

Geralmente tudo começa com materiais base como Ferro, Cobre, Pedra e Madeira. Os três primeiros são os que mais usamos, mas o que brilha mesmo é Ferro e Cobre. Ambos podem ser coletados com a picareta do jogo, mas o ideal é montar um drill que fique minerando automaticamente. Assim, ligamos várias esteiras transportadoras para levar esse material coletado para onde precisamos.

A partir daquele ferro bruto, nós o enviamos para a Fornalha, onde vira barra de ferro. Com essa barra, é possível gerar uns 3 itens diferentes e assim vamos otimizando todos os processos para o que as missões ou projetos estão pedindo no momento.

O Vício de Otimizar

Antes de eu chegar na parte final do jogo (que é quando os objetivos começam a pedir muito mais itens que o normal), eu já estava ajustando minha fábrica para sempre ter estoque de todos os materiais básicos. Essa parte foi a que mais me interessou: eu estava sempre tentando melhorar minha linha de produção. Porque, se alguma missão precisasse de “X” recursos, eu já tinha muitos componentes base prontos para fabricá-los.

Devo ter passado uma boa parte do gameplay só preparando minha fábrica para ter tudo o que eu pudesse precisar. É muito interessante como o jogo lida bem com a gestão de recursos. Por mais que a gente acabe, com o tempo, esgotando as fontes de ferro, cobre e carvão pelo mapa, mais pra frente chegam carregamentos desses materiais via trem pela cidade.

A Liberdade de Construir pela Cidade Toda

Stardew Valley também tem essa função interessante de podermos usar partes da cidade ou áreas fora da fazenda para plantar árvores. My Little Rocket Lab leva isso ao extremo: como na maioria dos objetivos temos que entregar milhares de itens para algum lugar, temos que usar esteiras para transportar esses recursos pela cidade toda. O problema é que os NPCs (que também têm suas rotinas) não conseguem passar por cima dessas esteiras e ficam travados se tiver alguma no caminho. Para contornar isso, o jogo deixa criarmos passarelas subterrâneas. Então, temos que otimizar muito bem e saber usar todos os cantos da cidade para não atrapalhar a rotina dos habitantes.

Confesso que no final do game, por precisar de muitos recursos, não liguei tanto para os habitantes e tive que construir coisas no meio da cidade para conseguir entregar todos os materiais necessários. Muita gente não conseguiu sair de casa, mas isso é um dos sacrifícios que os NPCs precisam fazer.

NPCs Úteis

O que me incomoda em Stardew Valley ou em farming games no geral é como tudo fica nas costas do protagonista. Tem que consertar o centro comunitário da cidade? Então deixa que o protagonista faz tudo sozinho!

Em My Little Rocket Lab, o objetivo central é construir um foguete, e só. Não é um foguete para levar o homem (ou macaco) à lua, é só uma construção, uma espécie de missão pessoal da personagem. No meio do processo, a protagonista ajuda muitas pessoas da cidade. Os NPCs, a princípio, não precisariam ajudar a protagonista porque, bem, o foguete não vai trazer frutos para a cidade como um centro comunitário faria. Só que, em um certo momento do jogo, a maioria dos NPCs cede um espaço da sua casa para ajudar a produzir materiais e isso é genial: dá utilidade para eles e realmente ajudam a completar o objetivo final.

Melhor que Stardew Valley

Brincadeiras à parte, esse jogo me prendeu muito mais que Stardew Valley. A parte de otimização de fábrica é muito mais interessante que plantar e esperar plantas crescerem ou cuidar de animais. Talvez seja porque eu goste muito de otimização. Mas vamos concordar que são propostas diferentes, então está tudo bem.

My Little Rocket Lab ganhou um espaço no meu coração como um dos melhores games que já joguei. Estarei na espera por mais jogos desse pessoal que fez o game (Teenage Astronauts).

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Fundador do Matilha Gamer. Gamer que começou no Super Nintendo com Super Mario World e hoje é viciado em documentar tudo que zera em seu backlog, desde JRPG's até Soulslikes.
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